GLOBALIZAÇÃO: DAS CONTRADIÇÕES NASCE A NOVA CIDADANIA *

Autora: Vera Lúcia Brites Jacques

 

* Este texto faz parte da monografia de conclusão do curso de Especialização em Pensamento Político Brasileiro, defendida na UFSM em 23.03.2007, intitulada: “O processo de globalização e suas implicações no exercício da cidadania”.

 

Orientador: Prof. Dr. Holgonsi Soares Gonçalves Siqueira

 

 

 


“A sociedade pós-tradicional é um ponto final; mas é também um início, um universo social de ação e experiência verdadeiramente novo. Que tipo de ordem social ela é ou pode tornar-se?”

(BECK, GIDDENS E LASH, 1997, p. 130)

 

 

Todos os aspectos da natureza humana foram afetados pelo ritmo acelerado da globalização. Aspectos econômicos, sociais, culturais, relações familiares; incluindo questões subjetivas, como a psique humana. Tudo mudou de lugar para ser reconstruído com novas bases, dentro de novos paradigmas.  Tantas mudanças foram possíveis com o advento das novas tecnologias de comunicação e informação.

 

Em relação à revolução tecnológica, suas conseqüências mais nefastas, destaco o desemprego e a exclusão digital que, segundo analistas, já está produzindo um verdadeiro “apart-heid” digital. No entanto, a tecnologia também tem enorme potencial para ser utilizada para o progresso e a inclusão social. Os problemas não são frutos da tecnologia, mas pertencem à sociedade, que precisa reinventar a forma de lidar com os novos processos e estruturas.

 

A principal transformação refere-se à concepção do tempo e do espaço cibernético (hiperespaço), responsável pela “compressão tempo-espaço” (HARVEY, 2005), onde não só as informações, mas os fluxos de todos os tipos (informação, comunicação, ideologia, imagens, pessoas, finanças), circulam em tempo real, atravessando países e continentes. Essa nova dimensão que afeta questões subjetivas e muda o sentido da vida, também liberta o indivíduo das certezas absolutas e abre caminhos para novas formas de lutas, inclusive para vencer diferenças e enfrentar demandas comunitárias e individuais.

 

Uma dessas possibilidades não diz respeito às esferas tradicionais da sociedade e da política, e nem encontra eco nas instituições formalmente estabelecidas, mas sim à iniciativa dos próprios cidadãos, que é o exercício da nova cidadania (SIQUEIRA, 2003, p. 167), onde o grande diferencial é a livre participação dos indivíduos. A nova cidadania se encaixa na realidade da sociedade global que pede decisões e autonomia de ser e agir, principalmente na busca de soluções para as questões sociais. São muitas as maneiras de interagir nessa nova realidade, para tanto, precisamos nos apropriar dos novos instrumentos, conceitos e categorias, que compreendem as atuais configurações desse momento e a diversidade de movimentos que ele nos apresenta (ONGs; micropolíticas, movimentos sociais, grupos de auto-ajuda).

 

Com base nessa análise, observo que o que leva ao exercício da nova cidadania são as inúmeras questões, advindas de uma ordem global pós-tradicional (BECK, GIDDENS e LASH, 1997), coerente com as incertezas geradas pela sociedade de risco (BECK, GIDDENS e LASH, 1997), cujas soluções não estão colocadas de forma clara e calculada (riscos de grande conseqüência, BECK, GIDDENS e LASH, 1997), como é o caso da degradação ecológica. Todas essas questões devem ser analisadas “sob a emergência de um novo tempoespaço tecnológico (ciberespaçotempo) que altera radicalmente nossas maneiras de ser, viver e fazer política no mundo pós-moderno” (SIQUEIRA, 2003, p. 175).

 

Velocidade, riscos e uma sociedade onde não se vive mais sob padrões rígidos de comportamento. Esses aspectos, aparentemente negativos, têm grande potencial de se transformar em contradições produtivas nessa nova sociedade. Um novo homem está se formando: reflexivo, questionador, que busca justificativas em tudo o que faz e não segue de forma automática tudo que lhe é imposto de cima para baixo. Ele sabe que tem um mundo para ser inventado e, nesse sentido, sua capacidade de agir sobre o processo é testada a cada momento. Essa é a modernidade reflexiva a que se referem Beck, Giddens e Lash (1997), dinamizadora de desenvolvimento, mas que implica desafios e riscos, pois lida com o desconhecido. Na visão de Beck, Giddens e Lash (1997, p. 12), “a modernização reflexiva significa primeiro a desincorporação e, segundo, a reincorporação das formas sociais industriais por outra modernidade”.

 

Relaciono esse processo, descrito pelo autor, com o que Giddens (1996) chama de “ordem social pós-tradicional”, aquela em que a tradição não desaparece, mas muda de status, não é aceita com passividade, ao invés disso torna-se aberta à interrogação e ao diálogo, é objeto de reflexão. Considero importante essa análise, pois mostra que não há um simples rompimento com o passado, mas abre-se uma possibilidade de questionamento e justificativa, tanto em nível pessoal quanto social. A tradição não pode manter o sentido que sempre teve, de preservar o passado, o comportamento dos indivíduos ou as instituições sociais. Em uma sociedade globalizante, culturalmente cosmopolita, as tradições são colocadas a descoberto: é preciso oferecer-lhes razões e justificativas (GIDDENS, 1996).

 

São muitos os exemplos dessa mudança de comportamento, a começar pela esfera familiar, tida como conservadora em sua essência, mas que apresentou avanços significativos em vários aspectos. Com a entrada da mulher no mercado de trabalho e, em oposição a esse processo o alto grau de desemprego, determinados padrões, como o de “chefe da família” deslocou-se de seu centro. Muitas mulheres assumiram o comando e o sustento do lar e dos filhos e tornaram-se independentes para procurar novos parceiros e reconstruir sua vida. Criou-se então o que se chama hoje de nova família, com novas relações entre os seus membros: filhos, pais, padrastos e enteados passaram a conviver de forma não convencional e talvez até, mais satisfatória, com maior solidariedade e compromisso.

 

Saliento o lado positivo dessa mudança, uma vez que o velho padrão reproduzia a lógica “opressor/oprimido”, com todos os problemas implícitos, como a violência familiar, ausência do cônjuge masculino na educação dos filhos, abuso sexual, entre outros.  O próprio ato de casar é repensado, bem como os hábitos e identidades sexuais. Essa realidade explicita a expansão da reflexividade social faz com que as pessoas exijam mais autonomia em suas vidas:

 

Em uma sociedade destradicionalizadora os indivíduos devem se acostumar a filtrar todos os tipos de informação relevantes para as situações de suas vidas e atuar rotineiramente com base nesse processo de filtragem [...]. O crescimento da reflexividade social é um fator fundamental que introduziu um deslocamento entre o conhecimento e o controle- uma fonte primária de incerteza artificial[1] (GIDDENS, 1996, p. 15).

 

         

Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada pelo Jornal Zero Hora[2] ratifica as informações acima, sobre a mudança de comportamento na sociedade atual. A pesquisa aponta uma mudança nos arranjos conjugais oficiais no país. A quantidade de divórcios subiu 15,5% em 2005, a maior taxa desde 1995. Às separações, seguem-se novas uniões, pois o número de casamentos aumentou 3,6%, especialmente os celebrados entre casais em que pelo menos um dos cônjuges é divorciado. No entanto, pelo menos em relação à guarda dos filhos, a mãe permanece a maior responsável: em 91,1% das separações e em 89,5% dos divórcios.

 

Na avaliação do IBGE, o crescimento dos divórcios, e também das separações judiciais, que subiram 7,4%, mostra que a sociedade brasileira vem encarando essa situação com mais naturalidade, especialmente no caso das mulheres, que em geral são vistas de forma mais preconceituosa quando decidem seguir a vida sozinhas. A própria legislação se adaptou ao novo momento, em 2003 entrou em vigor o novo Código Civil incorporando várias mudanças sociais ocorridas nas últimas décadas. Uma delas reduziu de três para um ano o prazo para o pedido de divórcio após a separação judicial.

 

Acredito que o próprio tempo se encarregou de tornar essas mudanças nas relações familiares, socialmente admissíveis. O divórcio, hoje, é bem aceito, até pelos filhos. Essa noção de que não havia outra possibilidade, a não ser manter o casamento, foi se desfazendo dentro de uma cultura em que a mulher é independente.

 

A mesma regra se aplica à esfera política, em uma sociedade em que os cidadãos questionam, refletem e encontram justificativas, atuando no contexto das incertezas criadas pelo avanço da globalização, os sistemas burocráticos tradicionais começam a desaparecer. Os Estados perdem o papel de “patrões” e os cidadãos de “súditos”. Em conseqüência da alta reflexividade social, surge o descontentamento com os mecanismos da política tradicional, com seus vícios, corrupção e falta de transparência, produzindo a urgência de reconstrução política. Penso que a nova cidadania é fruto dos processos e estruturas globalizantes, mas nasce também da exaustão das ideologias políticas recebidas.

 

Esses aspectos sintetizam de forma clara a modernização reflexiva, em que os indivíduos e a sociedade não apenas refletem sobre os temas, mas se confrontam com eles, o que Beck, Giddens e Lash (1997) denominam de “autoconfrontação”, e é desse confronto que nasce a mudança, que não se dá de uma hora para outra, mas vai sendo construída e reconstruída. Sendo assim,

 

A modernização reflexiva significa autoconfrontação com os efeitos da sociedade de risco que não podem ser tratados e assimilados no sistema da sociedade industrial – como está avaliado pelos padrões institucionais desta última. O fato de esta própria constelação poder mais tarde, em um segundo estágio, vir a se tornar objeto de reflexão (pública, política e científica), não deve obscurecer o mecanismo não refletido e quase autônomo da transição: é exatamente a abstração que produz e proporciona realidade à sociedade de risco (BECK, GIDDENS e LASH, 1997, p. 17).

           

Dentro dessa perspectiva, entendo que a própria sociedade de risco produz o cidadão reflexivo. Passado o período inicial em que o medo assume características paralisantes, o indivíduo percebe que as oportunidades, ameaças e ambivalências não podem mais ser resolvidas dentro do grupo familiar, na comunidade ou na aldeia, devem ser cada vez mais percebidas, interpretadas e resolvidas pelos próprios indivíduos.

 

Na sociedade globalizada, com reflexividade social intensificada, as pessoas podem ser consideradas “inteligentes”, isto porque, de uma forma ou de outra, são obrigados a se engajar com o mundo em termos mais amplos, se quiserem sobreviver nele. Nenhuma informação pode ser confinada a “castas” (científicas, sociais, culturais) e, com isso, passa a ser interpretada rotineiramente e ao mesmo tempo influenciada por cidadãos leigos, no decorrer do processo. Em síntese, esse universo de alta reflexividade conduz à maior autonomia de ação, que toda a sociedade deve reconhecer e ao qual deve recorrer, uma vez que todas as estruturas influenciam e são influenciadas pelos cidadãos.

 

Nesse contexto, de cidadãos autônomos e de uma sociedade de alta reflexividade social, Siqueira (2003) aponta a possibilidade da nova cidadania, que, enquanto política, não se enquadra dentro do espectro tradicional das aspirações da esquerda ou da direita, representados aqui, respectivamente pelo socialismo ou pelo capitalismo na sua forma neoliberal. Não é mais possível o rígido controle humano sobre as instituições e sobre a vida dos cidadãos, a essência das ambições da esquerda, e nem mesmo a “liberdade” (em nome do mercado) preconizada pela direita. É um mundo de incertezas, onde nem mesmo o avanço do conhecimento humano traz garantias de futuro menos perturbador. A política tradicional não serve mais como centro doador de sentido, o que termina por transferir para o cidadão parte das tomadas de decisões de “como ser e agir”.

 

Esses novos processos e estruturas geraram novos problemas, cuja solução não se encaixa na forma tradicional de resolvê-los, uma vez que suas conseqüências são desconhecidas e incalculáveis. Entre essas crises encontram-se as catástrofes ambientais, geradas pelo expansionismo arrojado do capitalismo; impacto da indústria, da ciência e da tecnologia no mundo moderno; desemprego e exclusão social. São novos dilemas que exigem novas soluções. É o que Beck, Giddens e Lash (1997) denominam de “riscos de grandes conseqüências”, para os quais somente uma “política radical” pode fazer frente.

 

Dentro do contexto de uma sociedade pós-tradicional Beck, Giddens e Lash (1997) apontam seis itens para uma “política radical reconstituída”, que recorra ao conservadorismo filosófico, mas que preserve alguns valores centrais que até agora estiveram associados ao pensamento socialista. Entre eles está a preocupação em restaurar as solidariedades danificadas, o que pode desencadear a reinvenção da tradição. Esse ponto inclui a avaliação adequada da natureza do individualismo nos dias de hoje, ênfase do neoliberalismo, em contraste com o desacreditado “coletivismo” da teoria socialista. A interpretação correta para esse individualismo – em contraponto ao egoísmo – deveria ser a expansão da reflexividade social. Nessa perspectiva, o indivíduo deve alcançar uma autonomia de ação, que implique reciprocidade e interdependência.

 

Outro ponto é o que o autor chama de “política de vida”, emancipatória, e, como tal, fundamental para a criação da autonomia de ação. A política de vida, acrescentam Beck, Giddens e Lash (1997), é uma política não de oportunidades de vida, mas de estilos de vida. Ela está relacionada com a maneira pela qual nós deveríamos viver em um mundo, onde aquilo que costuma ser fixado pela natureza ou pela tradição está, atualmente, sujeito a decisões humanas.

 

Dando continuidade, vem a adoção da “política gerativa”, que busca permitir aos indivíduos e grupos fazerem as coisas acontecer e não esperarem, passivamente, que as coisas lhes aconteçam, em relação ao contexto social. Ela opera no domínio público, mas não da forma tradicional, no entanto, oferecendo condições materiais e estruturas organizacionais para as decisões de políticas de vida tomadas por indivíduos e grupos na ordem social mais ampla. O autor sustenta que esse seria o principal instrumento para abordar com eficiência os problemas da pobreza e da exclusão social. Esse talvez seja um dos pontos mais importantes e que, em minha opinião, encontra uma relação direta com a proposta da nova cidadania.

 

A democratização da democracia, ou democracia dialógica é outro ponto considerado muito importante por Giddens (1996). Esse processo, aberto sempre ao diálogo, se aplica desde as relações pessoais e familiares, até questões mais amplas da sociedade. Ela pressupõe confiança – em si mesmo e em suas potencialidades – e solidariedade entre seus membros, para que possam dialogar, dividir tarefas e responsabilidades mais amplas da cidadania.

 

Saliento que esse processo pode ser exemplificado através das novas relações familiares, analisadas anteriormente. Na medida em que a modernidade avançou, as relações e os papéis familiares mudaram – não sem conflitos, é claro – e hoje, somente através do diálogo, as “novas famílias” conseguem se reestruturar e dar condições emocionais e financeiras estáveis para os seus membros. Longe de representar unanimidade de opiniões ou sentimentos (quando se trata de uma separação, por exemplo, isto não existe), pressupõe diálogo e confiança mútua entre os envolvidos.

 

Para o autor, há a necessidade da adoção de uma “previdência positiva”, em contraponto ao sistema previdenciário tradicional, que apenas repara os prejuízos causados pelas adversidades. Essa nova previdência deve lidar com as incertezas artificiais- e dá maior ênfase a mobilização de medidas de políticas de vida, direcionadas à ligação da autonomia com as responsabilidades pessoais e coletivas.

 

Esse modelo de “política radical”, a que o autor se refere, deve estar preparado para enfrentar o papel da violência nas questões humanas, o que remete novamente à democracia dialógica. Partindo do princípio que ela surge do conflito de valores e de culturas e de condições sociais, basicamente, a separação, como forma de não permitir o contato, só poderia aguçar o problema. A proximidade com diálogo permite uma maior compreensão do outro, e, em última análise, uma melhor compreensão de si mesmo, ou da própria cultura. Saliento que esse ponto é fundamental como forma de enfrentar as doutrinas fundamentalistas e substituir o uso da violência pelo diálogo.

 

A política radical, proposta por Beck, Giddens e Lash (1997), a qual relaciono inteiramente com a proposta da Nova Cidadania (SIQUEIRA, 2003), não é, necessariamente, salvadora ou mágica e nem tem fórmulas prontas, como um manual de sobrevivência. Entendo que esse não é o propósito, muito pelo contrário, o que perpassa as teorias são proposições colocadas nas mãos dos cidadãos, agentes da mudança. Entre os fatores desencadeantes dessa nova forma de fazer política está a emergência de valores universais, compartilhados por quase todos no processo de globalização. Em um primeiro momento, o olhar sobre essas informações e valores pode se dar por um signo negativo: as grandes catástrofes, o fim de valores arraigados e a desestruturação de famílias, o desemprego entre outros.

 

No entanto, como a globalização traz em seu seio a própria contradição – e todos têm de estar preparados para lidar com essas questões desestabilizadoras – esses valores “negativos” também têm grande potencial para impulsionar possibilidades de preservação da vida, direitos humanos universais, preservação das espécies e a preocupação e cuidado com as gerações presentes e futuras. Elas implicam, na visão de Beck, Giddens e Lash (1997, p. 29), “uma ética de responsabilidade coletiva e individual, que (como afirmação de valores) são capazes de passar por cima das divisões de interesses”. Como responsabilidade não é dever, algumas pessoas podem achar que lhes falta poder suficiente para concretizá-la. Entretanto, a responsabilidade é muito mais abrangente e mobilizadora, e, uma vez que não produz a lealdade cega, está longe de se tornar fanatismo.

 

É exatamente na responsabilidade que está a chave para a atuação de forma reflexiva e comprometida. Reconhecer o risco, como fato consumado, ao mesmo tempo em que provoca incerteza e medo, pode ser fonte de liberação de valores pré-concebidos, que engessam e paralisam. Não existe um salvador, ou salvadores da humanidade, existe, isto sim, pontos de engajamento político e novas formas de atuação com potencial de otimismo em relação aos seus resultados. Também não existe nenhuma garantia para a democracia, senão relativa e contingente, a mais provável se encontra nas mãos dos cidadãos, na sua formação-voltada para o social e que permite que os mesmos interiorizem a necessidade da lei e ao mesmo tempo a possibilidade de questioná-la. Indivíduos preparados para a interrogação, a reflexividade e a capacidade de deliberar, a liberdade e a responsabilidade.

 

Dessa forma, autonomia só pode ser praticada por cidadãos efetivamente livres, que tenham participação ativa na construção de uma sociedade democrática. Castoriadis (1992) reflexiona sobre esse tema e sobre a possibilidade de se alcançar uma sociedade realmente livre ou autônoma, ao afirmar que:

 

É aquela que dá a ela mesma, efetiva e reflexivamente, as suas próprias leis, sabendo o que faz. O que é um indivíduo livre e autônomo, uma vez que ele só é concebível numa sociedade onde há leis e poder? É aquele que reconhece, nessas leis e nesse poder, as suas próprias leis e o seu próprio poder – isso somente se pode fazer sem mistificação na medida em que o indivíduo tem plena possibilidade efetiva de participar da formação das leis e do exercício do poder. Estamos muito longe de uma sociedade livre. E quem imaginaria por um instante que a preocupação ardente das oligarquias dominantes seria de nos fazer chegar a tal sociedade? (p. 175).

 

 Percebo, nessa afirmação de Castoriadis, uma forte relação com a nova cidadania – embora não torne o termo explícito –, uma vez que coloca nas mãos da sociedade, através da participação, o nascimento de um novo projeto político que nasce das necessidades comuns dos cidadãos e não imposta de cima para baixo.

 

Todos esses conceitos, trabalhados anteriormente (reflexividade, autonomia, democracia dialógica e, diretamente relacionada a esses fatores, a tomada de decisões), são importantes para o exercício da nova cidadania, mas também são potencializados no exercício da nova cidadania. Um exemplo desse processo é o que ocorre no mundo do trabalho. O capitalismo compreendeu que, ao invés de se limitar a explorar apenas a força de trabalho muscular dos trabalhadores, limitando-os de qualquer iniciativa, e mantendo-os enclausurados nos moldes dos processos anteriores, podia multiplicar seu lucro explorando-lhes a imaginação, a capacidade de cooperação, os dotes organizativos e todas as virtualidades de sua inteligência.

 

No entanto, dentro desse novo padrão de competências, os trabalhadores precisam desenvolver, também, a capacidade de se adaptar de acordo com as mudanças contínuas no processo produtivo, em especial aquelas provocadas pela entrada das novas tecnologias. Devem adquirir diferentes habilidades e capacidades que possibilitem modificar continuamente suas atividades e as relações dentro da empresa. Nesse sentido, o que em um primeiro momento configura-se como exploração, traz em si uma contradição, pois o trabalhador leva consigo esses valores para a vida cotidiana e para outros locais em que vá desenvolver as suas atividades. São competências sociopolíticas, que uma vez desenvolvidas o indivíduo internaliza-as e sua prática passa a se dar em todas as esferas da vida.

 

Na minha avaliação, essa é a grande contradição produtiva que se apresenta no mundo do trabalho: a possibilidade de utilizar o potencial de um indivíduo que não apenas produz de forma mecânica, mas que raciocina no ato do trabalho e em vários ambientes. Esse é o trabalhador da sociedade globalizada, aquele com capacidade de autonomia, iniciativa e de renovação contínua de seus conhecimentos. Dentro da mesma perspectiva, é possível relacionar que se o modo de trabalho serve para aperfeiçoar as competências técnicas, a prática da nova cidadania desenvolve e aperfeiçoa as competências sociopolíticas e humanas.

 

Os problemas da nova ordem global exigem soluções inovadoras, que não se encontram nos partidos políticos e no Estado tradicional. São situações complexas e diferenciadas que se modificam rapidamente exigindo mais participação dos atores sociais e sistemas mais democráticos (democracia dialógica). O Estado se volta mais à resolução das macroquestões, como a inserção no mundo globalizado, deixando de lado problemas mais específicos que precisam ser tratados em espaços de decisão mais próximos dos indivíduos.

 

Segundo afirmação de D. Bell (citado por SIQUEIRA, 2003, p. 181), “O Estado-nação tornou-se pequeno demais para os grandes problemas e grande demais para os pequenos problemas da vida”. Ao mesmo tempo, a consciência do direito de ser diferente, o pluralismo e o novo tempoespaço tecnológico, alteraram nossas maneiras de ser, viver e fazer política no mundo pós-moderno. Essa nova maneira exige decisões que colocam o indivíduo no centro das coisas e desestimula os modos de vida e a interação tradicionais.

 

Nesse novo modelo, o qual relaciono com a subpolítica (BECK, GIDDENS e LASH, 1997), os indivíduos são construídos e ao mesmo tempo constroem novas relações e estruturas. Isso decorre, porque as instituições estão se tornando irreais em seus programas e fundações, e, por isso, dependentes dos indivíduos. É um mundo duplo, ambíguo onde há uma consciência dos riscos, dos perigos e dos problemas, no entanto ainda convivem duas realidades: a tradicional “não ambígua” e a ambivalência da modernidade. “Por um lado, está se desenvolvendo um vazio político das instituições; por outro, um renascimento não institucional do político. O sujeito individual retorna às instituições da sociedade” (p. 28).

 

Esse deslocamento da política de suas arenas tradicionais (Estado, parlamento, partidos políticos, sindicatos entre outros) se deve basicamente à imobilidade do aparato governamental, frente à mobilização dos agentes sociais. Esse “fracasso” estimula e ativa as ações cidadãs, que pelo menos, potencialmente, têm condições de movimentar muitos campos da sociedade. Nesse sentido, observo que quando avaliamos a derrocada da sociedade globalizada, tendo como base a decadência de suas instituições formais, não estamos dando a dimensão necessária à arena política da nova cidadania ou à subpolítica (BECK, GIDDENS e LASH, 1997). Nas palavras desses autores:

 

A subpolítica, [...] então, significa moldar a sociedade de baixo para cima. Visto de cima isto resulta na perda do poder de implementação, no encolhimento e na minimização da política. No despertar da subpolitização há oportunidades crescentes de se ter uma voz e uma participação no arranjo da sociedade para grupos que até então não estavam envolvidos na tecnificação essencial e no processo de industrialização: os cidadãos, a esfera pública, os movimentos sociais, os grupos especializados, os trabalhadores no local de trabalho; há até mesmo oportunidades para os indivíduos corajosos “moverem montanhas” nos centros estratégicos de desenvolvimento (1997, p. 36).

 

Na mesma direção, Siqueira observa que num primeiro momento a nova cidadania está diretamente relacionada aos novos movimentos sociais, representados por inúmeros agentes, e como tal é exercida em diversos níveis de espaços articulados reconstituindo gradualmente os espaços comunitários e abrindo novas dimensões para inserção dos indivíduos. Essa característica a torna mais global e mais participativa possibilitando aos indivíduos tomarem parte principal no seu processo de desenvolvimento. A nova cidadania abre a possibilidade de participação para grupos antes excluídos (homossexuais; negros; portadores de necessidades especiais entre outros) e habilita novos aspectos da vida social para se tornarem parte do processo político “reconfigurando as formas de ação e o campo da política”.

 

Os novos movimentos têm como ponto de partida as condições de vida reais da sociedade global, com suas diferenças e contradições, a maioria fundada na sociedade de consumo (HARVEY, 2005), objeto de estudo no capítulo anterior. Nesse contexto, a nova cidadania busca instituir novos direitos e solucionar os problemas específicos de forma autônoma, reflexiva e dialógica. A nova cidadania é um processo contínuo de emancipação.

 

Num segundo momento, mas não desvinculado do primeiro e, que marca a contribuição de Siqueira (2003) para o debate, sob uma ótica “hiper-pós-moderna” o conceito e o reconhecimento do exercício de uma nova cidadania está atrelado ao surgimento e propagação das novas tecnologias de comunicação e informação. Desse ponto de vista, ela é gerada pela interatividade – já que no espaço cibernético todas as autoridades podem ser questionadas –; pela garantia de expressão para todos e pela transcendência virtual dos aspectos territoriais e locais.

 

Nessa perspectiva observo que as novas tecnologias quebraram barreiras entre o cidadão comum e a esfera pública, derrubaram muros burocráticos e tornaram o exercício da cidadania muito mais horizontal e democrático.  Siqueira (2003, p. 173) destaca o impacto político da internet,

 

que ao descentralizar os sistemas de comunicação fez do novo cidadão não somente um consumidor, mas igualmente um produtor de informação e controlador do seu meio de comunicação ao contrário das tecnologias “tradicionais”, que por natureza são excludentes no sentido de que poucos produzem a informação e a maioria consome passivamente.

 

Considero importante destacar que a partir dessa interatividade, a qual promoveu novas formas de comunicação, os meios de comunicação tradicionais também sofreram adaptações. O cidadão comum passou a exigir (e construir) um espaço maior dentro da mídia, basta analisar as seções de qualquer jornal diário para se perceber que grande parte das colunas e seções são elaboradas ou sugeridas pelo leitor. Um exemplo é o Jornal Diário de Santa Maria (DIÁRIO DE SANTA MARIA, 2006), onde o leitor ocupa a página 4, de Opinião (antes restrita a intelectuais e formadores de opinião); parte da página social (Do Leitor); a penúltima página (Dia-A-Dia), com reclamações de seu bairro ou de sua rua, divulgação de cursos, e a seção de cartas onde tece críticas ou elogios aos gestores públicos. Além de, na maioria das vezes, “pautar” as páginas principais quando denuncia ou divulga fatos de relevância social. Os editores e repórteres passaram de “produtores de notícias” para administradores ou “tradutores” da vontade popular.

 

Ainda sobre esse tema, a maioria dos veículos de comunicação tradicionais obrigou-se a manter um conselho do leitor, com representantes da comunidade que, periodicamente, avaliam e propõem modificações na condução editorial dos veículos. Essa ocupação de espaço fica bastante evidente no chamado Jornalismo Popular (AMARAL, 2006), voltado a pessoas da comunidade, onde os bastidores do cotidiano da população tornam-se notícia e o cidadão comum é retirado de uma zona normalmente sombria nos jornais de referência. Em sua tese, a professora (AMARAL, 2006) tomou como base o jornal Diário Gaúcho (publicação da Rede Brasil Sul) e, embora fique a dúvida quanto à qualificação do jornalismo com essa interferência, a autora reconhece a importância do espaço para legitimar a cidadania desse setor marginalizado da população, que não tem acesso a emprego, saúde, educação, lazer e busca vínculos familiares e sociais.

 

Na mesma direção, o surgimento e a disseminação da Internet possibilitou a quebra de barreiras temporais, espaciais e de identidade, o que vêm beneficiando o trabalho dos novos movimentos. A liberdade, assim conquistada, abre espaço para um agir totalmente reformulado e em constante mutação.

Para Baumann (1999, p. 22):

 

[...] A separação dos movimentos da informação em relação aos movimentos de seus portadores e objetos permitiu por sua vez a diferenciação de suas velocidades; o movimento da informação ganhava velocidade num ritmo muito mais rápido que a viagem dos corpos ou a mudança da situação sobre a qual se informava. Afinal, o aparecimento da rede mundial de computadores pôs fim [...] à própria noção de viagem [...], tornando a informação instantaneamente disponível em todo o planeta, tanto na teoria como na prática.

 

 Há algum tempo os novos movimentos sociais já não representam uma novidade no cenário político internacional. No entanto, as idéias e propostas que defendem e as ações que promovem alcançaram enorme visibilidade e relevância nas últimas décadas, com essas novas tecnologias. Temas como a valorização e defesa dos direitos humanos e de cidadania e as novas percepções sobre a relação entre sociedade e meio ambiente ganharam um enorme alcance, possibilitando a emergência de novos canais institucionais de negociação de demandas.

 

Dentro dessa nova realidade do mundo globalizado, os novos movimentos sociais tendem a perceber que as suas reivindicações podem se associar às demandas de outros movimentos, ainda que esses tenham surgido em localidades muito distantes. Assim, na medida em que um movimento social interage com outras organizações coletivas nasce uma nova solidariedade, expressa nas “redes de movimentos”. Essas redes oportunizam transformações mais abrangentes, que transcendem os limites locais, pois através da comunicação entre grupos organizados disseminam-se os temas e as estratégias de luta que envolvem a superação dos problemas pertinentes às questões da cidadania. Dessa forma, as ações coletivas tornam-se aptas a influir na elaboração de políticas gerais de melhoria do contexto social.

 

As redes de movimentos brasileiros, nas quais se inserem as ONGs (organizações não-governamentais) apresentam algumas características comuns, entre elas a busca de articulação social e cultural; o pluralismo organizacional e ideológico e a atuação nos campos cultural e político. Essas características traduzem uma concepção política inovadora se comparada às práticas tradicionais. Esses novos movimentos sociais entram nas arenas políticas nacionais e internacionais falando a linguagem do localismo e do regionalismo. Eles não recorrem à solidariedade da classe tradicional, mas se dirigem ao poder como antagonista.

 

A nova cidadania, praticada pelos novos movimentos sociais, não tem como objetivo precípuo a transformação geral do sistema, mas sim a distribuição do poder de forma a implementar transformações em nível micro-social (micropolíticas). Os indivíduos partem da busca de solução para os problemas da vida cotidiana, colocando em pauta diversas problemáticas, como o desequilíbrio ecológico, a poluição, a falta de habitação e saneamento básico preconceito racial e de orientação sexual, entre outras. É nesse contexto que os cidadãos, através dos movimentos articulados, ou individualmente, recorrem às novas tecnologias de comunicação para tornar visível a sua problemática e tentar sensibilizar outros grupos sociais e os poderes constituídos.

 

É importante observar que alguns movimentos mantêm uma íntima ligação com entidades partidárias e sindicais, e dali tiram a sua orientação ideológica. No entanto, a ligação entre esses movimentos e os partidos políticos pode comprometer a integração na forma de rede de movimentos, visto que essas tendências, muitas vezes, se sobrepõem às questões de defesa da cidadania e à necessidade de estabelecer uma relação horizontal entre os atores sociais, pré-requisito para a construção de uma sociedade democrática.

 

Percebo que, muitas vezes, é necessária a articulação desses movimentos com as entidades partidárias, para que as suas reivindicações e projetos encontrem representação e transcendam as transformações locais. No entanto, a questão da autonomia dos movimentos tem de ser considerada prioritária, pois parte do processo potencializador da nova cidadania. A grande contribuição dos novos movimentos sociais consiste na criação de formas de luta e de defesa da cidadania, baseadas na participação sem os limites impostos pela hierarquia, na distribuição do direito de decisão, ou seja, na perspectiva de romper com as práticas autoritárias ainda vigentes na estrutura da maior parte das organizações partidárias.

 

Uma vez que a nova cidadania está atrelada às novas tecnologias, pois é no “ciberespaçotempo” que ela se articula e se torna pública, para que essas questões e o exercício da nova cidadania não continuem sendo privilégio de uma minoria, o grande desafio do atual momento da globalização é a conquista da inclusão digital[3]. Nova cidadania e inclusão digital, em minha opinião, precisam andar juntas, pois são interdependentes. A qualificação profissional, e, conseqüentemente, o acesso ao mercado de trabalho, também dependem da inclusão digital. Em última análise, a inclusão digital tem de fazer parte de todas as agendas dos movimentos sociais à política tradicional, uma vez que promove a autonomia do cidadão e torna-o apto a atuar em todos os setores da sociedade.

 

Dentre as contradições da globalização, objeto de estudo no capítulo anterior, a maior delas diz respeito à mudança de paradigmas sociais, políticos, culturais e individuais, principalmente no que se refere à forma de interferir e resolver os problemas, advindos dessa nova ordem mundial.  A sensação de que nada mais está no seu contexto habitual é uma realidade. Todas as questões foram recolocadas em um tempo/espaço marcado pela alta velocidade; pela obsolescência; pela volatilidade; pelas incertezas; pela flexibilidade, mas também por imensas possibilidades de se criar algo novo. 

 

O importante é perceber que há várias possibilidades de intervenção nesse processo, abertos aos trabalhadores e à sociedade em geral. Porém, no meio de tantas incertezas, há um consenso: essas possibilidades não estão mais colocadas sob a tutela do Estado-nação forte, poderoso e patriarcal, que como um ente político, também enfraqueceu e dividiu o poder com novos atores sociais, que tanto pode ser o capital internacional, compreendido pelas transnacionais; quanto pelas micropolíticas em geral.

 

Passado o desconforto inicial, provocado pelo deslocamento do centro de poder e pelos efeitos dos novos processos e estruturas sobre os cidadãos, e sobre a sociedade em geral, começa a despontar a certeza de que quanto maior a mobilização dos vários segmentos sociais, maiores serão as possibilidades de modificar situações adversas.  Destaco o desenvolvimento tecnológico, maior impulsionador do momento atual da globalização, com grande potencial de gerar benefício ao conjunto da sociedade, proporcionando melhoria na qualidade de vida.

 

No entanto, acredito que muitas barreiras ainda têm que ser vencidas, a principal é a exclusão social, para atingir o ideal em que o homem da sociedade global, apoderando-se de ferramentas sempre mais sofisticadas à sua disposição, possa se livrar da escravidão do cansaço e reconquistar momentos de lazer e maior qualidade de vida. Essa possibilidade, entretanto, na fase atual da globalização, ainda parece ser bastante utópica, principalmente se levarmos em conta as contradições e exclusões do sistema- que não se limitam mais apenas aos países menos desenvolvidos.

 

 A moeda oficial ainda é a capacidade de consumo, deixando margem a se pensar que o consumo é o próprio sentido da vida. Entretanto, o acesso a serviços e conforto, bem como a capacidade de se mover no tempo/espaço é ofertada amplamente, mas obstaculizada pelo abismo entre as classes que precisam de novos métodos e novas formas de lutas, que garantam não só o consumo, mas, principalmente a inclusão social dos mais diferentes segmentos.

 

Quero salientar aqui que essa nova sociedade global universal abre novas e criativas possibilidades tanto para os indivíduos quanto para grupos, etnias, minorias, classes, movimentos sociais, partidos políticos, correntes de opinião pública, sociedades nacionais. Porém, quando confrontamos essas perspectivas com as contradições no seio da sociedade global, percebemos que essa transformação de horizontes não é nem tranqüila nem imediata. As dificuldades caminham junto à gênese de um novo homem que se universaliza, que aspira a uma vida melhor, que procura a sua felicidade pessoal e que afirma os valores da nova civilização. Como acentuam Beck, Giddens e Lash (1997), “É uma sociedade em que os elos sociais têm efetivamente de ser feitos, e não herdados do passado”.

 

 

NOTAS DE RODAPÉ

 

[1] Incerteza Artificial: “É a incerteza para tomar – ou deixar de tomar – decisão, para a resolução dos problemas gerados pelos riscos de grande conseqüência, resultado da intervenção humana nas condições da vida social e da natureza” (GIDDENS, 1996, p. 12).

 

2 Jornal Zero Hora, 6 de dezembro de 2006, p. 4 e 5.

 

 

3 "Inclusão Digital" é a denominação dada, genericamente, aos esforços de fazer com as populações das sociedades contemporâneas - cujas estruturas e funcionamento estão sendo significativamente alteradas pelas tecnologias de informação e de comunicação - possam: obter os conhecimentos necessários para utilizar com um mínimo de proficiência os recursos de tecnologia de informação e de comunicação existentes e dispor de acesso físico regular a esses recursos. A inclusão digital está inserida no contexto dos sistemas operacionais e aplicativos distribuídos como software livre.

 

 

 

 


 

 

 

 

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