"GLOBALIZAÇÃO E PARTICIPAÇÃO POLÍTICA"*

Valmir Lima de Almeida

*Este artigo foi escrito com base na monografia intitulada "As principais dificuldades de participação política dos indivíduos na sociedade globalizada", a qual foi defendida no Curso de Pós-graduação em Pensamento Político Brasileiro (UFSM), em Junho de 2001, e orientada pelo Professor Holgonsi S.G. Siqueira.

INTRODUÇÃO

A participação política dos indivíduos na sociedade global apresenta-se como um caminho, uma das principais vias alternativas, para o alcance da inserção social e da diminuição das desigualdades econômicas reveladas pela globalização.

O processo de globalização em marcha acabou com os limites geográficos, mas não eliminou a fome, a miséria e os problemas políticos de milhões de globalizados que vivem (ou sobrevivem) abaixo da chamada linha da pobreza absoluta.

Afastados dos centros das decisões pelos princípios excludentes do neoliberalismo, os indivíduos, limitados na própria capacidade de compreensão dos conceitos neoliberais, não encontram pontos de referência para tornarem-se agentes de influência política no processo global.

O objeto deste trabalho é analisar as principais dificuldades de participação política dos indivíduos na sociedade globalizada e seus reflexos na construção de um processo de autonomia. As questões relacionadas com este problema se referem a fatores que dificultam a participação política dos indivíduos na globalização, destacando a importância que tem a autonomia dos indivíduos na tomada de decisões políticas na sociedade globalizada.

O problema da participação política dos indivíduos na globalização aparece na análise do processo de influências das instituições sociais e se revela nas dificuldades do uso da liberdade política para o enfrentamento dos desafios de uma realidade que avassala, destrói, cria e recria valores étnicos sociais e culturais.

Busca-se nesta análise compreender o processo de desterritorialização, que colocou os indivíduos frente às grandes mudanças e transformações que alteraram a vida e o comportamento político dos homens na aldeia global. Ressalta-se que os indivíduos precisam perceber a pluralidade de mundos que a globalização lhes impõe, as múltiplas facetas de uma sociedade em constante mutação.

O neoliberalismo é mostrado como expressão ideológica da globalização. São evidenciados os efeitos políticos que a doutrina neoliberal provoca nos indivíduos, quando imposta no contexto da globalização como uma evolução natural da sociedade, com um aprimoramento cultural do próprio homem. Revela-se, ao contrário do que apregoam os princípios neoliberais, que as diferenças sociais na globalização acentuam-se quanto maior for o nível alienante de exclusão social que esteja incluído o indivíduo.

No desenvolvimento do trabalho, enfatiza-se também a necessidade da conquista da autonomia do indivíduo na globalização, como contraponto imprescindível para ascender à participação política. O domínio da autodeterminação, é mostrado como instrumento para o indivíduo enfrentar uma sociedade tecnocrática e consumista, que a todo instante alarga-se, torna-se mais real do que antes e impõe novas regras globais de comportamento.

O objetivo geral é analisar as dificuldades de participação política dos indivíduos na sociedade global, a partir da compreensão de como acontecem as relações sociais, econômicas e políticas dentro da globalização. De como o processo de influência das instituições sociais, conduzem os indivíduos nas suas relações em sociedade. Ainda, como o despreparo dos indivíduos em questionar as instituições estabelecidas, se reflete nas dificuldades de participação política na globalização.

Assim sendo, é destacado nesta análise que um indivíduo livre, com autonomia é aquele que reconhece nas leis da sociedade as suas próprias leis e o seu próprio poder. Para tanto é necessário, como mostra o texto, que o indivíduo assuma a responsabilidade da construção das bases de uma sociedade autônoma, que passa ajudá-lo a atingir a participação política na globalização.

A globalização fez surgir uma sociedade desregrada, com ilimitadas possibilidades de comunicação, de intercâmbio econômico e conquistas tecnológicas. À medida que, busca analisar as dificuldades que enfrentam os indivíduos para alcançar participação política na globalização, este trabalho justifica-se integralmente, visto que evidencia problemas como a falta de autonomia e a incapacidade de autodeterminação, sem a superação dos quais, está inviabilizada uma possível inserção social no mundo global.

Ao mostrar um indivíduo ainda alienado às mudanças globais, distanciados dos centros das decisões, preso a fatores de ordem tecnocrática e consumista, esta análise aponta para a necessidade do posicionar-se, pensar e agir. Serve assim, como um alerta à compreensão de princípios imprescindíveis à conquista da participação política e a uma vida cidadã na globalização.

Ao revelar as dificuldades que tem os indivíduos de conceber o neoliberalismo como sustentáculo ideológico da globalização, de não terem autonomia frente ao determinismo econômico por ele imposto, o trabalho exibe a importância da reflexão política, de tomada de decisões, exigências básicas do mundo globalizado. No momento que mais a sociedade quer um indivíduo criativo, capaz de decidir, com versatilidade de conhecimentos, parece óbvio que este perfil exigido, como mostra esta abordagem, somente tornar-se-á realidade com a conquista de uma autonomia individual que conduzirá à participação política.

Os indivíduos vivem uma crise de razão na sociedade global, o processo de desterritorialização lhes sucumbiu o protecionismo do Estado-nação. Ao concebermos esta realidade, as considerações que veremos neste trabalho, ganham em importância porque nos remete a uma discussão dos tempos atuais: a "doma" da globalização e a conseqüente necessidade da humanização do processo global.

Observa-se no âmbito da aldeia global, que é no indivíduo que está o limite ou deslimite das ações do homem na sociedade globalizada, é na sua maior ou menor inserção política que se definem os níveis de exclusão social. Os indivíduos são peças fundamentais no processo político que constrói a globalização. Sem eles a sociedade global não se sustentaria, o mundo dos incluídos inviabilizaria-se na ausência da legião dos excluídos que o sustenta.

Essas considerações respondem o que hoje está muito presente nos debates em torno da globalização, qual seja a interdependência desigual entre quem globaliza e quem é globalizado.

Sustentam o embasamento teórico principal desta análise, obras de Octavio Ianni, Cornellius Castoriadis, Anthony Giddens e René A. Dreifuss. Este trabalho tem uma abordagem teórica, como tal, apresenta conceitos a partir dos quais, busca-se desenvolver uma análise crítica, que permita interpretá-los nos limites do problema e dos objetivos propostos.

1. A PARTICIPAÇÃO POLÍTICA NA SOCIEDADE GLOBALIZADA

A globalização é o cenário do desenvolvimento desigual. Ela é problemática e contraditória, dissolve espaços e tempos e impõe ao indivíduo padrões e valores desconhecidos.

Estas afirmações de Octavio Ianni (1995), dão a dimensão da aldeia global que vive o indivíduo no início deste novo século. Ao mesmo tempo em que perde raízes, se vê envolvo em uma imensa multidão de solitários, satelitizada, eletrônica e desterritorializada. As mesmas condições que alimentam a interdependência e a integração, sustentam as desigualdades e contradições em âmbito global.

"A mesma fábrica da sociedade global, que se insere e que ajuda a criar e recriar continuamente, torna-se o cenário que desaparece".

É a expansão avassaladora das relações, processos e estruturas de dominação em escala global, que em qualquer lugar e a todo instante provocam uma apropriação e desapropriação de conceitos, que transbordam fronteiras e levam ao declínio a sociedade tradicional.

É uma sucessiva incorporação de novos mundos, onde "(...) as organizações políticas, econômicas e culturais, prevalecem sobre os indivíduos, classes, grupos, partidos, Estados nacionais. Elas conseguem aliar-se com grupos locais, integram-se a setores sociais, partidos ou governos, mas organizam-se segundo razões próprias, de ordem global.". Dessa forma, prevalecem sobre os indivíduos, que passam a viver a crise da razão.

O caráter particularista das estruturas econômicas, aliado ao desconcerto social e cultural, tem colocado ao indivíduo as mais diversas formas de antagonismos, que dificultam-lhe a tomada de decisões e o inibe de participação política.

Uma análise da participação política dos indivíduos na sociedade globalizada, mostra que as dificuldades impostas pela globalização, para a conquista de autonomia, forjam-se na própria globalização, porém são alimentadas e tornam-se grandes barreiras, no despreparo, intelectual ou político, dos próprios indivíduos em tomar para si as rédeas do mundo global.

Ao indivíduo cabe perceber que as dificuldades de participação política na sociedade global não se resumem às questões ideológicas e econômicas do neoliberalismo. Elas também se revelam em ações do cotidiano, como o comportamento consumista na compra de algum produto ou no processo de aculturação, de massificação de valores que sofre dos meios de comunicação.

Enfrentar e superar essas dificuldades, exige do indivíduo autonomia, a construção de uma identidade pessoal, capaz de delimitar espaços e gerar novas consciências de cidadania.

O alienante predomínio das coisas sobre os homens, tem criado enormes barreiras para a tomada de consciência dos indivíduos, o que dificulta ainda mais a superação das dificuldades de participação política e a conseqüente inserção na sociedade globalizada. O indivíduo não consegue ter domínio de um aparato mecanizado, que cria constantes necessidades, tenciona as relações sociais e dita as normas no mundo globalizado.

Somos escravos do nosso aperfeiçoamento técnico, "(...) modificamos tão radicalmente nosso meio ambiente que devemos agora modificar-nos a nós mesmos, para poder viver nesse novo ambiente."

O indivíduo tem extremas dificuldades de situar-se em uma sociedade, que assim como assinala o declínio do Estado-nação, faz emergir novos e megacentros mundiais de poder, soberania e hegemonia. A situação é tão problemática e contraditória que ele já não consegue identificar os donos do poder. Fica deslocado ainda mais do centro das decisões políticas, diante da doutrina neoliberal que transfere as possibilidades de soberania para as organizações, corporações e outras entidades de âmbito global.

As elites buscam criar condições que nunca se resolvem, acenam para os indivíduos, constantemente, com novas perspectivas, aliam-se a setores sociais, partidos ou governos, mas definem as decisões segundo as suas razões e interesses políticos. Como destaca Octavio Ianni (1995, p. 79): "o povo, as massas, os grupos e classes sociais são induzidos a realizar as diretrizes estabelecidas pelas elites modernizantes e deliberantes."

Ao indivíduo aparece uma globalização de padrões de consumo, de métodos e estilos que se neutralizam de formas diferentes na vida de cada um. A mesma diversificação de valores que lhe é apresentada, retira-lhe a capacidade da escolha autônoma e reduz-lhe a possibilidade de participação política.

Há de se considerar também a universalização dos meios de comunicação, que levou à aldeia global informatizada. Tudo que se globaliza, virtualiza-se. As próprias idéias transfiguram-se na magia da eletrônica. Robotizado, o indivíduo não encontra o ponto de referência da reflexividade política.

"O partido, a opinião pública, o exercício do voto, a governabilidade, a estabilidade ou a instabilidade de regimes políticos, a magnitude ou a irrelevância dos fatos sociais, econômicos, políticos e culturais, tudo isso passa a depender, em alguma escala, da forma pela qual a mídia descreve e interpreta".

O problema maior do indivíduo é encontrar a essencialidade da verdade dos fatos, parâmetros de compreensão entre o que informa e o que aliena na globalização. São questões essencialmente ideológicas, normalmente manipuladas pelos meios de comunicação de massa, e que expressam uma nova concepção acerca da transformação social e da prática política, imposta pelo neoliberalismo.

Ao indivíduo é necessário compreender que a globalização é um processo em marcha, inacabado, que modifica as suas condições de autonomia, porém não o impede de refletir, pensar e agir. As dificuldades que enfrenta de participação política estão em encontrar-se na imensidão interativa de conceitos, valores, idéias, que alargam ou reduzem horizontes, diante da maior ou menor capacidade de discernimento das forças que atuam no desenvolvimento da globalização, a qual, "(...) modifica substancialmente as condições de vida e trabalho, os modos de ser, pensar e imaginar. Modifica as condições de alienação e as possibilidades de emancipação dos indivíduos."

A globalização criou as condições de uma nova e moderna visão do mundo, porém não conseguiu evitar de ser, igualmente, uma fonte reveladora das imensas desigualdades sociais, das diversidade locais, nacionais e regionais, que assim como interagem, chocam-se nos limites e deslimites da aldeia global.

O desafio do indivíduo de vencer suas dificuldades de participação política está em grande medida, na capacidade do mesmo em compreender que a política deve ser uma atividade lúcida, que necessita de homens lúcidos, capazes de lutar por uma sociedade autônoma, que forme necessariamente indivíduos autônomos.

Cornellius Castoriadis (1992), considera que o grande desafio posto para os indivíduos na globalização é o de ascender a autonomia, ao mesmo tempo que absorve e interioriza as instituições existentes.

Uma política de autonomia, como recomenda Castoriadis, deve por sua vez, agir sobre os indivíduos, com o objetivo, de que possa ajuda-los a atingir a sua própria autonomia. Um projeto de autonomia é, pois, a transformação do sujeito de maneira que ele possa ser participante do processo, ou seja, tenha participação política na sociedade em que vive.

A participação política, portanto, é exigência básica para que o indivíduo supere as barreiras impostas pela globalização e consiga desenvolver ações de cidadania dentro da própria sociedade global. Nesse sentido, é necessário encurtar o distanciamento entre as formas institucionais existentes, sejam jurídicas ou políticas, e a real possibilidade de reconhecer nas leis, nas instituições, as suas próprias leis e o seu próprio poder.

A cidadania, compreendida como soberania, implica, necessariamente, em indivíduos que tenham alcançado um grau de autonomia, de participação política, de autoconsciência. Nesta altura da globalização as possibilidades de autoconsciência ainda são reduzidas, limitadas. O que predomina são incertezas, individuais ou coletivas, geradas pelo próprio processo de desterritorialização.

Em a "Sociedade Global", IANNI (1993, p.123), afirma que "o indivíduo somente pode realizar-se na sociedade. Está sempre na dependência de suas relações com os outros, mesmo que se iluda em sua auto-suficiência". Esta compreensão leva-nos a acreditar que as dificuldades que enfrenta o indivíduo para construir um projeto de autonomia está na razão das desigualdades e contradições sociais em âmbito global.

"A globalização exige também desterritorialização de decisões. O tomador de decisões terá que acostumar-se à falta de tempo para refletir, já que uma pergunta dá a volta ao mundo em segundos."

Há uma constante reproblematização da própria sociedade global. As nações integram-se e desintegram-se na velocidade da luz. As transformações sociais são tão intensas, que assim como revolucionam pela informatização, fazem ressurgir fatos que pareciam esquecidos, anacrônicos. Os horizontes abertos pela globalização iluminam o presente e recriam o passado.

Os indivíduos estão acoplados a uma mídia impressa e eletrônica, que transforma o mundo em paraíso das imagens, criam linguagens e formas de expressar que dissolvem as barreiras herdadas do territorialismo. Tudo se desterritorializa. O mundo transforma-se em território de todo mundo, "(...) se torna grande e pequeno, homogêneo e plural, articulado e multiplicado. Mesmo os centros decisórios mais fortes, nem sempre se afirmam absolutos, inquestionáveis. Globalizam-se perspectivas, dilemas sociais, políticos econômicos e culturais. Os problemas nacionais mesclam-se com as realidades e os problemas mundiais."

É necessário, porém, que o indivíduo veja o mundo como um conjunto de nações e regiões formando um sistema global, integrado a uma rede de interdependências, que está a exigir-lhe a todo instante tomada de decisões. O posicionar-se exige-lhe a superação da crise da razão, isto é, o rompimento dos limites impostos pela tradição.

É importante que o indivíduo supere as práticas políticas instituídas no passado, para alcançar a participação política na globalização. A submissão, o conformismo e a alienação não lhe conduz ao caminho da autonomia, via principal para o alcance da reflexividade social, do conhecimento atualizado, da tomada de decisão e, por conseguinte, da própria participação política.

A autonomia é requisito básico para a participação política do indivíduo na globalização. Somente um indivíduo autônomo é capaz de processar e selecionar informações, ter domínio de conhecimento, tomar decisões e posicionar-se frente a um mundo de riscos, incertezas e conflitos globais.

A autonomia leva o indivíduo à participação política, porém, não deve estar atrelada as justificações de ordem econômica ou ideológica que o incapacite ou o impeça a condição de ser, agir e entender as contradições que permeiam o mundo globalizado.

Para Cornellius Castoriadis (1992), uma política de autonomia deve ter como objeto final, ajudar a coletividade a criar as suas instituições, sem porém limitar a capacidade dos indivíduos de serem autônomos.

O desenraizamento que acompanha a formação e o desenvolvimento da sociedade global, segundo Castoriadis, tem colocado os indivíduos, situados em diferentes lugares e distintas condições socioculturais, diante de desconhecidas e surpreendentes formas e fórmulas, possibilidades e perspectivas. A interconexão global criou cadeias de decisões políticas, que são vias possíveis para que os indivíduos alcancem autonomia e passem a participar politicamente.

Outra relação importante a ser considerada dentro da globalização, são as necessidades de consumo e a dependência dos indivíduos em satisfazê-las neuroticamente. A sociedade global é uma imensa máquina de criar necessidades. A compulsividade consumista fragiliza o indivíduo frente às regras de mercado, o induz a perda de autonomia, a submissão ao capital e ao empobrecimento político.

"É politicamente pobre o cidadão que se entrega ao Estado e dele aguarda a sua defesa de modo acomodado; que se encolhe diante do poder econômico que o agride; que não se organiza, para cuidar de sua defesa, de maneira democrática e competente."

A globalização do capitalismo joga o indivíduo em um mundo de controvérsias, quase de crise existencial, já que oscila entre o sonho de satisfazer todos os seus desejos e a realidade de não poder realizá-los.

À globalização o que interessa é a ressaca emocional do indivíduo, que o distancia da razão, do equilíbrio entre o poder e querer e o torna um compulsivo do consumo. É o processo de massificação e homogeneização cultural, que não apenas gera vícios consumistas nos indivíduos, como também os impede de participarem politicamente.

A globalização do consumo pelo consumo afeta o comportamento social do indivíduo e é sentida de diferentes formas e intensidade na vida de cada cidadão. Há de se considerar a maior ou menor transferência de estilos pelos megassitemas de informação, desde um simples comercial de televisão aos sofisticados "sites" na rede mundial de computadores.

A chamada informação em tempo real, não dá tempo ao indivíduo de pensar, ou ainda o que é fundamental, de refletir e encontrar o ponto de consciência entre o que é necessário consumir e a necessidade consumista. O indivíduo entrega a mídia o poder não de sugerir, mas de definir ações que deve seguir. Como destaca IANNI (1995) "algo de essencial pode ter-se modificado, quando o discurso do poder passa ser formulado e divulgado por meios da mídia impressa e eletrônica".

Na fase inicial da globalização o objetivo era a padronização desterritorializada dos produtos, levar o indivíduo ao consumo pelo status da marca mundial. Hoje, como destaca DREIFUSS (1996), a preocupação é com novas formas de consumo, criam-se produtos não homogêneos e, até mesmo com os próprios, mais ajustados a gostos e padrões locais. É a globalização, que consegue associar o sabor local à harmonização global.

Observa-se assim que os indivíduos mantêm-se reféns da globalização. Ainda não encontraram as condições de domínio de suas próprias vontades e distanciam-se cada vez mais dos centros das decisões.

Os fatores que os afastam se revelam tão naturalmente, que são aceitos como inerentes à evolução tecnológica e científica da humanidade. O indivíduo é visto como o pêndulo de um relógio que oscila aos extremos, mas não consegue o domínio ou controle dos rumos a seguir.

A participação política exige convicção de decisão, clareza do que se busca e certeza nas escolhas. Estas exigências, apregoadas pela própria globalização, parecem tão óbvias, porém, ganham um grau de complexidade enorme quando requeridas no contexto do desequilíbrio social e econômico do mundo global.

Dispersos nas dessemelhanças étnicas, culturais e econômicas, banalidades no contexto da globalização, os indivíduos não encontram recursos de discernimento lógico, que lhes afiance domínio de poder decisório, autonomia e participação política na sociedade global.

2. A IDEOLOGIA NEOLIBERAL NA GLOBALIZAÇÃO

Criado com o objetivo principal de combater o Estado intervencionista e de bem-estar, o neoliberalismo tem suas origens no pós Segunda Guerra Mundial, notadamente na Europa e na América do Norte. O texto que lhe serve de base foi "Caminhos da servidão" de Friedrich Hayek.

Segundo Emir Sader (1996), o expansionismo das idéias neoliberais começa realmente a acontecer e ser sentido a partir do início da década de 70, do século que passou. Destaca que o primeiro governo a por em prática o programa neoliberal foi de Margareth Tatcher em 1979, na Inglaterra. Conforme o autor, mais tarde os princípios neoliberais ganharam espaços em escala mundial, com os governos de Reagan em 1980 nos Estados Unidos, Helmuth Khol em 1982 na Alemanha e de Schluter na Dinamarca em 1983.

Consolidavam-se a partir de então os ideais de estabilidade monetária, contenção do orçamento, concessões fiscais e abandono do pleno emprego, princípios básicos do neoliberalismo e que serviriam de discurso ideológico e de sustentação política para a globalização econômica.

"O neoliberalismo produziu um retrocesso social muito pronunciado, com o agravamento as desigualdades em todos os lugares em que ele foi implantado. Não obstante logrou êxitos relativos no controle da inflação e na imposição de certos mecanismos de disciplina fiscal."

O discurso político neoliberal cria no indivíduo o conceito de Estado-moderno, despatrimonializado, que deveria ter como meta principal a contenção do grande surto inflacionário dos anos 70. Não importava aos neoliberalizantes a participação política dos indivíduos no sistema e sim a adesão incondicional, acima de tudo, na efetiva organização de um Estado burocrático, que eliminasse as influências dos grupos tradicionais de poder.

O neoliberalismo passou a deslocar as possibilidades de soberania para as organizações e entidades de âmbito global. Estas, e não mais o indivíduo ou grupos de indivíduos, passam a organizar e dirigir o chamado Estado-moderno com o apoio dos poderosos conglomerados econômicos que o conduz.

Levada as últimas conseqüências a tese do neoliberalismo de modernização do mundo impossibilitou a participação política do indivíduo, que tencionado pela ameaça constante de desemprego, passa a desacreditar do movimento sindical, das entidades de classes, até então centros formadores de lideranças políticas.

Com o neoliberalismo, como destaca Perry Anderson (1996, p. 22), pela primeira vez, o indivíduo passa a conviver com um movimento ideológico verdadeiramente mundial. Com isso, perde o protecionismo, quase sempre eleitoreiro, dos grupos locais que ditavam os rumos econômicos e as regras de vida nos limites territorializados dos seus currais eleitorais. Se antes a participação política "vinha" pelas mãos das oligarquias, agora terá que vir pelo rompimento das amarras do poder econômico e pelo convencimento e a imposição de idéias.

"A nova concepção econômica imposta pelo neoliberalismo reinterpreta o processo histórico de cada país: os vilões do atraso econômico passam a ser os sindicatos e junto com eles, as conquistas sociais e tudo que tenha a ver com a igualdade, com a equidade e com a justiça social".

Os indivíduos são condicionados a acreditar que somente uma economia de mercado mundial, será capaz de modernizar o aparelho estatal, aumentar a produção e trazer melhores condições de vida.

Não importa ao neoliberalismo outros modelos de desenvolvimento, que não o de Estado mínimo, privatizante, de exclusão social, insensível à generalização da pobreza. Os indivíduos empobreceram econômica e politicamente.

O empobrecimento político vem pelo apressamento da ânsia da sobrevivência que elimina ou faz esquecer as lutas por melhores condições de trabalho e salário. Passa a prevalecer a valia de ter trabalho e não emprego, como tal, os indivíduos perdem a força de enfrentamento classista e ideológico que existia nos limites da fábrica. Pode-se dizer que perdem a sua arena de luta e passam a conviver com a abstração operacional do mercado.

A nova ordem econômica provoca a proliferação do desemprego, que desestabiliza a condição de trabalhador do indivíduo e traz reflexos imediatos no exercício da cidadania na sociedade globalizada. A falta de participação política do indivíduo na globalização tem uma relação direta com o agravamento das desigualdades sociais e econômicas resultantes da prática neoliberal. Os princípios neoliberais tornam-se excludentes, muito em função das dificuldades dos indivíduos inserirem-se politicamente nos propósitos de uma nova estrutura social.

À medida que o neoliberalismo foi se desenvolvendo, outras formas de organização social, de técnica de trabalho e produção foram acontecendo, exigindo condição de autonomia dos indivíduos em assumir novas posições sociais e políticas. Evidenciam-se então as dificuldades, as limitações dos indivíduos em assumir responsabilidades de decisão, de escapar do determinismo coletivo da globalização e encontrar caminhos de participação política.

As amarras neoliberais, eficazes na alienação política, não sofrem ameaças de rompimento, porque o indivíduo perdeu a referência do associativismo, do viés cooperativista, da resolução dos problemas sociais pela práxis da política.

Com o neoliberalismo o indivíduo passou da condição de ativista para adesista. As adesões passaram a ser de todos os tipos, de todas as formas. Econômicas pelo desejo avaro e incontrolável do consumo; políticas pelo despreparo em enfrentar as dificuldades de participação nas decisões da sociedade globalizada.

O discurso neoliberal não encontrou dificuldade em cooptar adesões políticas. Conservadores e liberais, que passaram séculos buscando estabelecer suas diferenças, começaram a encontrar semelhanças que não imaginavam existir. Por sua vez, os opositores, convictos ou não, foram incapazes de encontrar um contraponto aos princípios neoliberalizantes.

O neoliberalismo sobreviveu a si mesmo pela incapacidade da esquerda, até aqui, em construir formas hegemônicas alternativas para sua superação que articulem a crise fiscal do Estado com um projeto de socialização do poder, que desarticule ao mesmo tempo as bases de legitimação do neoliberalismo, entre elas a passividade, a despolitização e a desagregação social.

Ao mesmo tempo em que se dava a penetração neoliberal em todos os setores da sociedade, ocorria a dilapidação das instituições do Estado, que se tornam incipientes organismos frente a globalização que se instala na máquina pública. As comunidades, consequentemente, os indivíduos tornam-se acessórios de um projeto global, que não lhes reserva espaços de participação política. O Estado neoliberal, ressalta Emir Sader (1996), deveria ser forte no rompimento com os sindicatos, no controle do dinheiro, nos gastos sociais e nas intervenções econômicas.

A prática política neoliberal acerca da transformação social, fundamenta-se na exclusão dos indivíduos dos centros decisórios. Os conceitos de liberdade, de democracia e a própria condição de cidadão, deterioram-se no despreparo dos indivíduos de encontrar formas de participação política.

A realidade que cerca o indivíduo é de um mundo global de extremas diferenças econômicas. Há um constante distanciamento entre os que detêm a concentração da riqueza e aqueles que vivem em absoluta condição de pobreza. Cada vez mais os pobres tornam-se indigentes e os ricos magnatas.

A globalização econômica cria um mundo mais abastado para alguns, a custa da pobreza crescente de outros. Ela é responsável pela globalização crescente da pobreza e ao menos que seja refreada, um novo barbarismo irá prevalecer, à medida que a exclusão social e o desmonte social envolverem o mundo."

A aceitação, praticamente, incondicional quase natural do segregacionismo ideológico neoliberal, fez o indivíduo deixar de acreditar ser possível intervir politicamente, no determinismo econômico do neoliberalismo. Trouxe o comodismo individual para um contingente globalizado que passou a ver suas dificuldades de participação política, mais como problemas pessoais do que coletivos.

A sociedade global consegui criar a magia, que sob o ponto de vista econômico, tudo se resolve ou deve ser decidido pela via do neoliberalismo. No que tange as questões sociais, estas não têm vias globais de resolução, são resultado do atraso cultural, da insipiência tecnológica e de governantes corruptos do Terceiro Mundo. Os neoliberais afirmam que os indivíduos devem ter é iniciativa econômica, assim podem superar a condição de exclusão social, vencer as barreiras que os afastam dos centros produtivos e conquistar, naturalmente, espaços de ascensão política na globalização.

Evidencia-se a partir desta compreensão ou doutrinação neoliberal, que o problema da falta de participação política do indivíduo na globalização, não deve ser atribuído aos deslimites econômicos do neoliberalismo e como tal não pode buscar suas causas no capitalismo especulativo por ele gerado.

O mundo global financeiro fez do indivíduo um amontoado de números, são senhas infinitas, cartões múltiplos, tudo para fazê-lo crer que é único, singular, não comparável com outro globalizado. Este é um princípio neoliberal, fazer as pessoas acreditar que não devem se preocupar com o contexto, com a organização conjuntural da sociedade, num claro contrasenso ao globalismo que apregoa.

Retira-se, assim, pontos convergentes, problemas comuns, anseios coletivos, que normalmente conduzem à participação política. Distanciar o indivíduo da sua realidade social e econômica, é um grande instrumento de estratégia neoliberal, que é utilizado quando se busca explicar as dificuldades que enfrenta para inserir-se socialmente e politicamente na globalização.

A contextualização globalizada da questão social, induz o indivíduo a não perceber as dimensões globais de sua existência, as potencialidades de sua condição de cidadão. "Juntamente com o que é local, nacional e regional, revela-se o que é mundial. Os indivíduos, grupos, classes, movimentos sociais, partidos políticos e correntes de opinião pública são desafiados a descobrir as dimensões globais dos seus modos de ser, agir, pensar, sentir e imaginar."

Para os neoliberais, essas são razões que mostram o despreparo político do indivíduo em construir autonomia e adquirir condições de demarcar limites, entre a globalização econômica, que é o mundo neoliberal, e a participação política na globalização, que deve ser uma tarefa doméstica, individual, de controle local de cada indivíduo.

No entanto, os indivíduos enfrentam enormes dificuldades para ter domínio do que sugerem os neoliberais. Isto porque, como destaca DREIFUSS (1996, p.153), os indivíduos vivem uma globalização que se organiza e se faz a partir de megaespaços urbanos, diferenciados por sua localização física e sua história.

Buscar essas diferenças no âmbito da geo-política que os cerca, é um caminho que pode conduzir os indivíduos à participação política. Para tanto, é necessário aprender a desterritorializar decisões, definir ações políticas que alterem estilos de comportamento, hábitos, padrões e especialmente mentalidade em relação a doutrina neoliberal. "Hoje precisamos de uma nova concepção acerca da transformação social e da prática política. Necessitamos de práticas diferenciadas, flexíveis, movimentistas, simultaneamente local e globais."

A questão maior não é o extermínio da política neoliberal e sim como enfrentar politicamente os efeitos nocivos da globalização, dos desníveis econômicos e da exclusão social.

A globalização não tem preocupação com a preservação do mundo cultural do indivíduo. O neoliberalismo, por sua vez, exige diversidade mercadológica, quer um indivíduo desenraizado culturalmente, aposta na possibilidade de aliená-lo politicamente. Surge deste contexto as dificuldades que tem o indivíduo de associar as funções de cidadão e as de manipulado pelas referências e etiquetas neoliberais.

Desta dualidade surgem os "incapacitados" políticos, que por não se integrarem ao projeto ideológico do neoliberalismo, destoam da configuração integradora e modernizante da globalização.

O neoliberalismo é um processo ideológico, aceitá-lo ou combatê-lo, requer posicionamento político frente aos princípios que o norteiam, proposição de alternativas ainda não experimentadas, que não centralizem na economia de mercado, o campo para a resolução de todos os problemas da vida dos indivíduos.

É necessário exercer o que GIDDENS (1996, p.130), chama de democracia dialógica, que não está centrada no Estado, mas sobre ele retrata de maneira significativa, cria formas de intercâmbio social e pode contribuir para a reconstrução da solidariedade social.

A proposta da busca da solidariedade humana, justifica-se à medida que é impossível imaginar, por mais convincentes que possam ser os ditames neoliberais, a globalização apenas no aspecto econômico. Não há como deixar de reconhecer, que o neoliberalismo se mantém em função das nações, das sociedades e fundamentalmente dos indivíduos.

É na complexidade da interdependência indivíduo-globalização, que nascem e se fortalecem as relações globais. As grandes mudanças, as grandes transformações do mundo, não dependem apenas de princípios neoliberais para acontecer, mas também da superação das dificuldades de participação política e a busca constante de autonomia dos indivíduos na sociedade global.

3. DESAFIOS À PARTICIPAÇÃO POLÍTICA NA GLOBALIZAÇÃO

Os indivíduos vivem um mundo de problemas e desafios na globalização. Nunca se falou tanto em dificuldades como nos tempos atuais. A velocidade que traz a mudança afasta a solução. Os problemas oscilam nos extremos da inquietude ou nos deslimites da angústia. Os desafios não têm limites de exigências, renovam-se a todo instante e tornam-se mais complexos, à medida que aumenta a globalização das relações sociais.

As diversidades étnicas, culturais, econômicas e políticas que compõem o mundo global, na verdade não são diferenças entre espaços físicos da globalização e sim entre indivíduos que têm línguas diferentes, costumes diferentes grau de desenvolvimento social diferente e principalmente pensam diferentemente.

A heterogeneidade de conceitos entre indivíduos na globalização cria grandes barreiras para o enfrentamento de desafios como a humanização das decisões econômicas, a diversidade cultural, científica e tecnológica, ainda presas a uma sociedade tradicional, que não consegue superar as diferenças étnicas e políticas, que segregacionam os homens nos limites do desejo e do consumo provocados na multiplicidade de interesses do mundo global.

"A globalização incorpora as particularidades locais, regionais, nacionais, ética, religiosas, de grupos sociais e culturais subsumidas na dinâmica mundial do consumo de uma heterogênea terra."

Questionado na globalização de exigências que o cerca, o indivíduo não consegue ter respostas aos desafios que lhe são impostos. São exigências que criam grandes obstáculos à participação política, que intimidam posicionamentos e revelam deficiências de formação global, de domínio de mundo.

Observa-se que as dificuldades de participação política na sociedade global, decorrem de dois aspectos que precisam ser considerados: os de ordem pessoal e aqueles que vêm de uma conjuntura política que englobou idéias, mas não ensinou a pensar.

Confinados no limite da visão dos seus mundos pessoais ou na imensidão de um, global, que os manipula a todo instante, os indivíduos enfrentam provocações que os desnorteiam na complexidade de exigências que lhes são feitas.

Em a "Era do globalismo", Octavio Ianni (1999, p.11) assinala a emergência da sociedade global, como uma totalidade abrangente, complexa e contraditória. Uma realidade ainda pouco conhecida, desafiando práticas e ideais, situações consolidadas e interpretações sedimentadas, formas de pensamento e vôos da imaginação.

Criou-se assim em torno dos indivíduos o mundo das ansiedades. No aspecto pessoal, por exemplo, como superar a ânsia do consumismo, que lhes alfineta a realidade econômica e os conduz ao sonho do impossível ou à impossibilidade de satisfaze-lo plenamente? No âmbito global, como podem os indivíduos enfrentar e sobreviver aos princípios excludentes do neoliberalismo? Como podem abrir espaços de participação política, encontrar formas alternativas para diminuir a distância entre pobres e ricos e democratizar os acessos à ciência e a tecnologia?

Esses são desafios permanentes, que se renovam a todo instante na sociedade globalizada. Os indivíduos são cobrados a todo momento e suas deficiências se revelam pela maior ou menor capacidade de desempenho das suas tarefas de rotina. A globalização exige indivíduos melhores preparados, que saibam ouvir, mas que assumam funções de tomada de decisão, que tenham iniciativa própria, mas sejam fiéis aos princípios neoliberais de tratar globalmente as questões sociais e econômicas.

No âmbito político, o objetivo é desconsiderar toda a forma de organização que não considere a realidade da desigualdade social, como resultado das diferenças históricas, étnicas ou econômicas, entre os povos. No aspecto cultural a miscigenação de valores globais ainda não aconteceu. Não há claramente definida uma cultura global, que possa dar ao indivíduo uma identidade de cidadão do mundo.

A indústria cultural adquire alcance global, na dimensão do interesse econômico que a sustenta, também pela sobreposição de valores e objetivos das classes dominantes e, torna-se um desafio à vida do indivíduo quando já consegue comandar o seu modo de informar-se, divertir-se e pensar os problemas reais ou imaginários.

Queiramos ou não, estamos todos presos em uma grande experiência, que está ocorrendo no momento da nossa ação como agentes humanos -, mas fora do nosso controle, em um grau imponderável. Não é uma experiência do tipo laboratorial, porque não controlamos os resultados dentro de parâmetros fixados é mais parecida com uma aventura perigosa, em que cada um de nós, querendo ou não, tem de participar.

O indivíduo precisa compreender a complexidade do mundo que o cerca. Entender os seus contrastes, que oscilam nos limites das "verdades" que o sustenta e acreditar, que por mais fortes que se revelem os centros decisórios, nem sempre são absolutos e inquestionáveis.

Aos indivíduos o processo social da globalização parece mais desafiador que o processo político. Por uma dificuldade de contextualizar a sociedade como integrante de uma estrutura política, a concepção ideológica do mundo não lhes está presente. Não se sentem agentes políticos da transformação social, passivamente aceitam ser dominados, não encontram meios de organização e empobrecem politicamente. O empobrecimento político os afasta da responsabilidade de definir posições, de sentirem-se comprometidos com os rumos da própria globalização. Faz surgir um descompromisso coletivo com a realidade política, como se essa não influenciasse nas relações de domínio na sociedade globalizada.

A participação política na globalização passa pelo desafio do indivíduo compreender, como destaca Octavio Ianni (1995, p. 186) que a mesma racionalização que articula progressivamente as mais diversas esferas da vida social, acentua e generaliza a alienação de uns e outros, também em âmbito universal. A marcha da racionalização caminha de par-em-par com a alienação, uma e outra determinando-se reciprocamente.

Os indivíduos necessitam compreender, e este é um desafio de ordem pessoal, que a sociedade global não é uma mera extensão quantitativa da sociedade nacional, que a desterritorialização não os desobriga à responsabilidade de autodeterminação. Exige-se, precisa-se de indivíduos preparados intelectual e politicamente, capazes de decidir e agir nas afrontas globais do servilismo anacrônico instituído e encontrar caminhos de reversão das disparidades sociais.

O desafio da preparação pessoal, singular dos indivíduos na globalização, não é uma tarefa simples, já que as influências que sofrem extrapolam ao campo da invididualidade. Nascem do campo da impessoalidade. Nascem de múltiplas direções, estão na complexidade dos processos sociais, nas estruturas de dominação e apropriação das instituições sociais, nos discursos ideológicos e ganham dimensão nas informações e contra-informações de uma mídia globalizante.

Vive-se um cotidiano configurado pela fabulosa massa de informação disponível, veiculada eletronicamente em escala planetária, estruturante do indivíduo e determinante de um novo kaos que questiona o homem e sua humanidade, enquanto a realidade é multiplamente questionada e reproblematizada.

A globalização é um constante questionamento do processo de autonomia dos indivíduos, das influências que possam receber na definição de modelos políticos, que se mostram ao mesmo tempo individual e social e os deixam desamparados frente as instituições. Surgem daí o desafio da busca da tomada de posições de autonomia, de domínio de conhecimento, das influências das instituições na definição das bases de uma sociedade, que dita o comportamento social e a postura política dos indivíduos na aldeia global.

Sendo assim, a postura comportamental do indivíduo na globalização assume diferentes facetas, em função da sua maior ou menor dificuldade no controle dos conhecimentos que possa ter em relação às formas institucionais existentes e da definição política que conceba da sociedade global.

Indivíduos que tem dificuldades de conceber a sociedade globalizada na sua pluralidade de interesses, que sejam despreparados intelectualmente, com certeza não encontram parâmetros de compreensão entre as condições de alienação e as possibilidades de autonomia política na globalização. A sociedade global modifica-lhes as condições de vida e trabalho e não lhes concede oportunidades de aprender a vê-la com espírito crítico. O alienalismo cultural, ainda enraizado em uma identidade nacional, acompanha a alheação política, conduz o indivíduo a eximir-se de responsabilidades e torna-se um obstáculo à participação política.

Considerando-se a freqüente lentidão com que se modifica a identidade de inúmeras pessoas e o desejo intenso que muitas delas sentem de re(afirmar) seu controle sobre as forças que moldam sua vida, é provável, admitem os globalistas, que as complexidades da política da identidade nacional persistam. Porém, somente uma visão de política global pode vir a se adaptar aos desafios políticos de uma era mais globalizada, marcada por comunidades de destinos que se superpõem e por uma política multiestratificada (local, nacional, regional e global).

O desafio de ser participativo, de encontrar o poder da tomada de decisões, não se esgota apenas no domínio das potencialidades culturais dos indivíduos, que são importantes mas não necessariamente determinantes, já que existem os alienados voluntários da política. A estes, a maior dificuldade de participação política está em não desejar definir posições políticas acerca da globalização.

São essas diversidades de condutas, muitas enraizadas em valores tradicionais (ignorados pela globalização), que deixam os homens globalizados reduzidos a meros coadjuvantes no processo da mundialização de ações políticas, que criam dificuldades de compreensão da heterotopia que mecaniza o mundo global.

Os indivíduos são peças ou partes de órgãos em constantes deslocamentos pela aldeia global. Mesmo que não saiam dos lugares onde vivem, sofrem os efeitos estonteantes da imensa cadeia de informação disponível, veiculada em escala planetária, que os conduz, aleatoriamente, a valores globalizantes.

A globalização da mídia trouxe para o indivíduo, o desafio de conviver com uma realidade planetária, com formas diferentes de vida, com estilos desiguais de sociedades, que o cerca, o assedia nos mais íntimos valores culturais e lhe exige acompanhamento permanente das mudanças que destradicionalizam regras sociais e familiares.

Essa pluralidade de novos conceitos, de múltiplos parâmetros de relacionar-se em sociedade, desafia os indivíduos a todo instante, exige um reciclar constante de comportamento, a busca de uma nova identidade pessoal no contexto de uma despersonalização global.

"Multiplicam-se as identidades de uns e outros, na mesma proporção em que se diversificam experiências e existências, intercâmbios culturais e formas de organização social da vida, modos de trabalhar, agir, sentir,pensar e imaginar."

A nova ordenação da sociedade mundial cria cadeias decisórias, que alteram a natureza e a dinâmica das relações entre os indivíduos. A necessidade de participação política torna-se uma exigência nos riscos, incertezas e conflitos que se revelam no entrelaçamento do indivíduo com o sistema global.

As ações cotidianas dos indivíduos mostram a essencialidade da prática política nos processo da definição de rumos na globalização. Normalmente alheios aos centros de decisões, perdem o domínio do conhecimento, a capacidade de decidir, processar e selecionar informações que lhes garantiriam inverter as condições de submissão, conformismo e alienação impostas pelo mundo global.

Para impor-se, enquanto cidadão nesta aldeia global, o indivíduo tem que conquistar autonomia. Necessita relacioná-la como principal via para vencer as dificuldades de compreensão política, como instrumento de formação de um cidadão capaz de ser e agir, de ter um entendimento crítico da sociedade globalizada. Esses são desafios que implicam, necessariamente, na mudança de comportamentos, que exigem dos indivíduos atitudes claras, objetivas, frente aos princípios excludentes do neoliberalismo. A busca da autonomia passa a ser uma exigência constante à medida que é o principal viés para o alcance da participação política na globalização.

É igualmente um desafio para o indivíduo, ter a compreensão de uma nova ordem econômica internacional, quando é parte integrante de uma legião de excluídos, que aumenta a todo instante a escala da desigualdade social e cria um mundo de dominação e dependência entre os homens. "(...) um mundo cada vez mais insubordinado e violento, no qual a pobreza, a privação e o conflito são a realidade cotidiana da maioria dos povos".

A maior provocação aos indivíduos, neste contexto global, é a da edificação de um processo de autonomia política, que o ensine aprender a ocupar espaços públicos e perder vícios de dependência ás práticas políticas do passado. A autonomia deve capacita-lo a inserir-se no contexto social e a compreender as circunstâncias da existência humana na globalização. Ao contrário, permanecerá preso a uma estrutura de dominação e dependência, em crise de razão frente a incessante globalização do mundo.

A crise existencial do homem globalizado, mais do que uma perturbação de vida, é um desafio à turbulência da incerteza, do medo, da perplexidade que o cerca no mundo global. Como destaca GIDDENS (1996), cada vez mais o homem é obrigado a abdicar da rigidez das idéias, atitudes e tipos de comportamentos fundamentados no sistema de valores tradicionais e buscar respostas nos parâmetros de uma "modernidade reflexiva", que em muitos aspectos ainda estão para serem formulados.

Assim, a capacidade política do indivíduo exige, fundamentalmente, revisão de valores, sejam pessoais ou conjunturais, novas concepções do processo cultural civilizatório em marcha na globalização. Precisa o indivíduo compreender que na globalização cultural, ao mesmo tempo, que há muita perda, há muito ganho. Que é preciso ter domínio das contradições globais, para viver com as fragmentações e os antagonismos de uma sociedade que faz dos conflitos a sua base de sustentação.

O indivíduo é peça integrante de um cenário que ajuda a criar e recriar constantemente, mas não consegue experimentá-lo. A todo instante torna-se o cenário que desaparece, entra e sai de cena, parece estar sendo punido pela incapacidade política de enfrentar um processo de globalização em mutação permanente.

"Logo que se reconhece que a sociedade global é uma realidade em processo, que a globalização atinge as coisas, as gentes e as idéias, bem como as sociedades e as nações, as culturas e as civilizações, desde esse momento está posto o problema do contraponto globa-lização-diversidade, assim como diversidade e desigualdade, ou integração e antagonismo."

As definições da globalização, principalmente econômicas, criam nos indivíduos a desconecção com o seu mundo social, cultural e político. Deixam de perceber a mundialização em todas as suas esferas e não buscam paradigmas políticos para explicá-las ou o que seria mais importante entendê-las. Vem daí, o que se pode chamar de alienação política conjuntural, isto é, os indivíduos por não perceberem o entrelaçamento de interesses do mundo global, são facilmente manipulados pelas elites deliberantes que os comandam.

A supremacia do poder econômico de uma camada social minoritária, que se utiliza de instrumentos especulativos da globalização, coloca para o indivíduo a realidade de que enquanto a economia melhora, o social piora. O desafio está em encontrar formas de participação política, que possam levar a uma nova concepção acerca da transformação social, que sejam práticas diferenciadas, flexíveis, simultaneamente locais e globais.

Para Emir Sader (1996) o neoliberalismo criou condições muito mais propícias para a inversão especulativa do que produtiva. Isto não tem sido assimilado politicamente pelos indivíduos, que sentem os seus efeitos na destruição social criada pelo poder de mercado, mas se revelam incapazes de alternativas, que amenizem o agravamento das desigualdades econômicas entre globalizados e globalizantes.

As condições de liberdade e democracia, inegáveis avanços políticos, que o mundo experimenta nas últimas décadas, não tem se refletido na concretização de uma consciência de participação política dos indivíduos na globalização. Ainda presos a conceitos e formas ortodoxas, ou simplesmente enclausurados no alienalismo político, não conseguem construir, por exemplo, um sindicalismo de maior consciência, compromisso e proposta, ou seja, mais pragmático e menos ideologizado.

Saber utilizar as condições de liberdade com participação política e assumir responsabilidades, é um grande desafio que a ideologia neoliberal colocou aos indivíduos na globalização. Apostam os globalizantes no despreparo político, nas dificuldades de construção de um processo emancipatório, na percepção de mundo e na definição de uma política de vida dos indivíduos na globalização.

"A política de vida e as disputas e lutas a elas associadas tratam de como deveríamos viver em um mundo onde tudo que costumava ser natural (ou tradicional) agora tem de ser, em algum sentido, escolhido ou decidido. A política de vida é uma política de identidade e uma política de escolha."

A ausência de uma política de vida, fez o indivíduo distanciar-se dos centros decisórios, submeter-se à força do mercado. Surge, a partir de então, legiões de excluídos sociais que passam a viver à margem de propagadas conquistas e grandes avanços da globalização. A esses a globalização é separatista, segregacionista, espoliadora social e politicamente.

As conseqüências da exclusão social são estarrecedoras, quando se analisa os números de miseráveis, indivíduos que além de não ter participação política na globalização, vivem em grau de absoluta pobreza.

Em "A época das Perplexidades" (1996, p.12,13) René Dreifuss destaca dados oficiais da ONU, que em 1994, mostravam um alargamento da linha de miserabilidade no mundo. Nos países menos desenvolvidos uma em cada cinco pessoas sofre de pobreza extenuante. Um bilhão e trezentos milhões de pessoas vivem em extrema pobreza ou são desesperadamente pobres. A cada minuto nascem quarenta e sete bebês na pobreza.

Desde então a exclusão social vem aumentando em escala mundial, desafiando os deslimites de uma economia de mercado e de um sistema político que apregoa democracia, mas gera situações extremas; tanto de generalização da pobreza como de fortalecimento da plutocracia.

Aos indivíduos o desafio posto é o de encontrar vias de participação política, que evitem a propagação ainda maior da miserabilização mundial, que não deixem sucumbir às garantias de liberdade e de democracia; e que garantam que as possibilidades de construção de uma sociedade autônoma e da conquista da condição de cidadão são tão reais quanto os princípios excludentes da globalização.

CONCLUSÃO

O homem é um ser essencialmente social e político. Quando lhe falta esta compreensão ou quando nega esta condição, torna-se um ser amorfo, ausente, potencialmente manipulável, um mero ocupador de espaços físicos, ou simplesmente um conformado observador das decisões do mundo que o cerca. A compreensão da essencialidade política do homem torna-se exigência ao próprio entendimento da sociedade em que vive. Não há como separar, dissociar o indivíduo do seu meio social, não há como deixar de reconhecê-lo na definição ou emissão das ações políticas que definem a complexidade das relações de poder na sociedade.

A globalização trouxe o descercamento social, econômico e político do mundo, mas não eliminou a intrinsidade do homem com seus valores, seus conflitos, seus anseios. Os cenários são outros, as exigências são diferentes, os desejos se alteram, mas os indivíduos não perderam a essência do pensamento e a mística de fazer história.

As análises aqui colocadas, nos conduzem a dimensionar quanto os indivíduos precisam superar as dificuldades de interpretação de uma nova ordem econômica e social, para construir um processo de autonomia e alcançar a participação política na globalização. Este trabalho mostra que as dificuldades de compreender uma sociedade desregrada (como é a global), decorrem das limitações em tomar decisões, em eliminar comprometimentos com posições fragmentadas, em romper obstáculos ideológicos que surrupiam a imprescin-dibilidade da participação política.

Assim sendo, é necessário que as relações de dominador e dominado, sejam democratizadas no âmago da globalização. Esta é uma compreensão óbvia, quando os indivíduos se deparam com dificuldades de participação política na globalização. Falta-lhes, como esta análise demonstra, alternativas políticas que os estreitem na solidariedade contra a exclusão social e os aproxime na humanização pessoal.

Os homens "globais", como evidencia o centralismo ideário deste texto, ainda não encontraram pontos de referências que os façam partes integrantes dos centros decisórios, ainda não aprenderam a lidar e decidir na complexidade das relações de dominação do mundo global. Não é de se estranhar, portanto, que ainda não saibam superar as suas dificuldades de participação política e vêem como uma exaustiva provocação à necessidade de assumir posições na sociedade globalizada.

As dificuldades de participação política dos indivíduos na sociedade global ocasionam reflexos profundos na conquista de uma autonomia cidadã e, como é mostrado nesta análise, lhes impedem de ascender aos discursos da conciliação das diferenças, do que é justo, possível e realizável, que sustentam ideologicamente a globalização. Conclui-se que os indivíduos ainda não têm domínio desta nova estrutura de práticas políticas, que se sustenta no uso do conhecimento e da destreza tecnológica. Assim são facilmente afastados dos centros decisórios do poder, tornam-se apêndices de uma elite deliberante que fez nascer, comanda e se mantém neste sistema de tutela política na globalização.

Todas as análises que se façam para compreendermos as dificuldades que tem os indivíduos de ascender politicamente na globalização, se identificarão com posições deste trabalho, que apontaram para uma desconstrução ideológica do mundo. Os indivíduos, como aqui fica evidenciado, precisam visualizar a multiplicidade de interesses que movem o mundo global. Necessitam compreender que vivem um novo tempo, que o processo social da globalização e o processo político se entrelaçam na angústia e incerteza das exigências globais, que a realidade da globalização impõe a formação de novos indivíduos, como novas idéias e novos objetivos.

Outro ponto determinante, essencial, do que aqui é exposto e que identifica as dificuldades de participação política na globalização, se refere ao despreparo dos indivíduos em entender que nenhum sistema, por mais materialista que seja, pode exclui-los das relações sociais que o mantém. Fica claro, igualmente, que todo o sistema social, econômico é também político, que só se viabiliza pela ação dos indivíduos, seja pela submissão a interesses de mercado, seja pela necessidade de questionar as forças do poder político-decisório daqueles que comandam a globalização.

Ao buscar as razões das dificuldades de participação política dos indivíduos na sociedade global, questão central desta análise, necessariamente conclui-se que na complexa e contraditória realidade social da globalização, os indivíduos precisam encontrar pontos de referências de atuação de cidadania nos formatos da própria sociedade globalizada, que necessitam lutar por autonomia e buscarem os espaços de participação política nos limites de cada instituição, que forma o gigantismo desfronteirizado do mundo global. Os indivíduos têm dificuldades de participação política na globalização, porque precisam ainda compreender que é nos centros decisórios do poder político, isto é, no interior das instituições organizadas que se definem as relações de dominação do mundo global.

Os indivíduos precisarão ainda discernir, e esta é uma dificuldade de participação política, que a inserção social na globalização não acontecerá, como demonstra este trabalho, sem o afastamento da passionalidade ideológica, da ortodoxia religiosa, de posições segregacionistas, que os tem impedido de compreender novas acepções de mundo, de entender novas realidades e com elas interagir no contexto da globalização.

As possibilidades de um projeto pessoal ganhar efeito na globalização são incipientes desejos de quem o propõe, se não vir alicerçado na conscientização da participação política. Esta consideração é ponto crucial deste trabalho, no sentido que o grande problema da ascensão do indivíduo, enquanto cidadão, na globalização está no seu descompromisso político com a realidade que o cerca, na sua ausência na tomada de decisões, na sua passividade frente às mudanças e transformações, que vão com rapidez alucinante criando e recriando novas formas de vida e exigindo novos modelos de comportamento social.

Assim, resta concluir que a superação das dificuldades de participação política na globalização, só acontecerá quanto os indivíduos forem capazes de discernir entre o que é apregoado e o que de real acontece nas relações de interatividade universal. Quando conquistarem o entendimento político, que o mundo da globalização é, com certeza, o do domínio da ciência e da técnica, mas é também os seus mundos, onde ocorrem suas relações de homem e cidadão.

A superação das dificuldades de participação política na globalização acontecerá quando o mundo global para os indivíduos se tornar familiar, quando for vencido o servilismo político, o desregramento social, que ao homogeneizar diferenças revelou a universalização das desigualdades.

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NOTAS

IANNI, Octavio. Teoria da globalização. 1995, p.18.

2 IANNI, Octavio. A sociedade global. 1993, p. 45-6.

3 IANNI, Octavio. Teoria da globalização. 1995, p.61.

4 IANNI, Octavio. Teoria da globalização. 1995, p. 107.

5 IANNI, Octavio. A sociedade global. 1993, p. 52.

6 . DREIFUSS, René A . A época das perplexidades. 1996, p.89, 183.

7 IANNI, Octavio. A sociedade global. 1993, p. 89, 92,97.

8 DEMO, Pedro. Pobreza Política. 1988, p.21

9 ANDERSON, Perry. A trama do neoliberalismo. In: Pós-neoliberalismo: as políticas sociais e o Estado democrático. 1996, p.145.

11ANDERSON, Perry. A trama do Neoliberalismo. 1996, p.147. IN: Pós-neoliberalismo: as políticas sociais e o Estado democrático.

12 SADER, Emir. A hegemonia neoliberal na América latina. 1996, p.37. In: Pós-neoliberalismo: as políticas sociais e o Estado democrático.

13 HELD, David; MACGREW, Anthony. Prós e contras da globalização. 2001, p.72-3.

14 ORTIZ, Renato. Mundialização e cultura. 1999, p.22. In: IANNI, Octavio. A era do globalismo.

15 THERBORN,Göran. A crise e o futuro do capitalismo. 1996, p. 50.In: Pós-neoliberalismo: as políticas sócias e o Estado democrático.

16 DREIFUSS, René A. A época das perplexidades. 1996, p.138.

17 GIDDENS. Antony. Modernização Reflexiva. 1997, p.76.

18 DREIFUSS, René Armand. A época das perplexidades. 1996, p. 33.

19 HELD, David; MACGREW, Anthony. Prós e contras da globalização. 2001, p. 44.

20 IANNI, Octavio. A era do globalismo. 1999, p. 96.

21 HELD, David; MCGREW, Antony. Prós e contra da globalização. 2001:75.

22 IANNI, Octavio. Teorias da globalização. 1995, p.202.

23 GIDDENS, Anthony. Para Além da esquerda e da direita. 1996, p.106.

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